Lá fui ontem dizer adeus ao Tinho.
Era o maluquito da aldeia.
Em dias incertos atravessava a rua, entrava no campo, despia as calças e depositava as suas necessidades.
Tinha a pila do tamanho bum burro, mas não fazia mal a ninguém.
A imagem de marca era pôr-se em sentido a fazer a continência a quem passava.
Depois mandava seguir pessoas ou carros, tipo sinaleiro.
Houve quem o chamasse de general.
Foi a primeira vez que o vi de gravata.
A igreja estava cheia, mas eu era a unica da cidade que tinha lá ido.
Até foi engraçado ver as pessoas a cumprimentarem-me para se sentirem mais importantes.
Cumprimentavam-me e olhavam para os outros, como quem diz eu cá conheço-a.
Depois foi a missa.
Na aldeia as pessoas não são muito católicas. Aliás a nossa aldeia não tem igreja - que é coisa rara em Portugal.
Ninguém conseguia acompanhar o padre, mas faziam a ladainha aproximada para não parecer mal.
Olhavam para mim que também não sabia acompanhar.
Quando foi o pai nosso a igreja parecia que vinha abaixo.
O padre até mandou falar mais baixo.
E lá encomendou o Tinho com ecos de amens e obrigados à mistura.
Vai fazer-me falta o Tinho.
Devia haver sempre um maluquito na nossa vida.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
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