(glória de sant'anna)
Passado um mês recomeço a escrita sendo a glória de Glória que com "querida teresa?" me assome aos dias e desperta amores outrora encobertos de névoas ocultos para dizer quem sabe? estou aqui, quero saber, ouvir respostas.
Desta doce mãe escondida nos panos, que tão bem sabe ler entrelinhas poetas, mar azul, e ocasos de sol em cima de Pemba, ocultando em suas mágoas serenas, dias vestidos de cinza no pomar de Válega.
Aí é que me oiço e envergonho nas palavras.
E é desta mãe minha, tão minha maminha de mamar todo o leite entre filhos, que chega o bilhete curto e directo, aposto que escrito no cadeirão grande da sala que espera.
Porque ali vai estar sempre. Quieta, constante, os olhos pequenos manchados de mágoa, esperando que um dia o outro seja calmo.
Igual a si mesma, quieta e profunda escondendo no olhar as quinhentas mil estórias por contar.
Oh minha mãe de sempre. Meu amor de sentir nas veias o entendimento claro e feroz de dizer tátá aos dias, diz-me:
Em que pedaços de rimas liquidas se descobrem poemas?
Como é possivel essa visão de ver o alcance do pássaro que desleixado voa por cima das nuvens?
A quem transmitir este amor de ver a terra por de baixo dos passos, a fugir de nós, como se andasse furtiva por outras paragens?
São só cento e cinquenta quilómetros de rodados e tão longe de nós a saudade dos barcos...
Oh minha mãe de sempre nado em teus versos liquidos e precisos, recatadamente compostos em métrica pousada no mar.
Podia ser vulcão de ilha, jacaré ou tubarão este ímpeto dum abraço que até ao sangue me levasse ao limite do que não quero mas tanto sinto.
E depois dizer-te pequena mãe encafoada no sofá que cedo possa estou aí para te falar da furia dos meus medos.
E contigo beberei chá, invariavel me agarrarei a teus braços fortes para falar contigo duma pátria só nossa: a terra sonhada da igualdade dos homens.
Oh minha mãe de sempre, de cada vez que te vejo tenho mais saudades tuas.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
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