(miguel)
Era verdade sim.
E assim se esvaíu o meu resto de sangue que cansado lutava para amansar a fera.
Dois dias passados e a fera regressa espapaçada em ruinas das duvidas e dores que lhe falam o dia.
Ainda geme terrena, mas falta-lhe a asa para dizer do amor, as incertezas da indiferença.
Lacrimeja na angústia de isolar emoções e fixa suas patas no orgulho irrefletido de amachucar a presa para o resto da vida.
Sinto profundas as picadas da reflexão e exausta aguardo que seja mentira, um sonho passado, mas regresso a casa e nada me espera senão a patada violenta e ensanguentada do animal ferido.
Retiro os espinhos e o maior esforço é não chorar agora que perdi a vontade de acreditar na verdade que vinha anunciando um barco em águas lisas.
Que águas eram essas em que acreditei tal criança de escola, na vontade humana de transformar os dias?
Que águas eram essas que as li limpidas e mancharam de vez os retratos, os gestos, a familia, os objectos e levaram consigo tudo e todos, numa enchurrada de lama?
Que águas eram essas que galgaram paredes e destruiram as casas e os anos, os dias e o pão, repartidos aos poucos?
Que águas eram essas e de poço vinham, que tão intranquilas pararam correntes e ficaram submersas para o resto dos dias?
Regresso à estrada tal Kerouak e tento subverter as mágoas e os prantos duma explosão sem retorno que se instalou à porta de casa.
Perco a familia, o cão, os objectos e duma assentada,
encontro-me vazia de sonho e vontade para continuar a vida em cima dos passos.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
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2 comentários:
Beijos Abraçados.
Inez
Gosto muito do mote "Olha Afonso..." Fica com um bordão de cego que vê a amizade a segurar o que o tempo destrói...
Obrigado Teresa. Não conhecia o blogue, e sabendo que pintavas, não sabia que escrevias. Numa palavra não te conheço, peço desculpa ...
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