(mary)
Ela cortou uma fatia de pão. Obrigou-me a comer, como sempre.
Estava ali - a meus olhos cheios - a mesma.
Passados quarente anos era como se fosse ontem.
Os amigos é assim : cortam um braço se fôr preciso para nos oferecer a alma.
Estava igual.
Parecia outra vez que estávamos na varanda da casa à beira mar a ver os flamingos.
Parecia outra vez que estávamos a espreitar às escondidas os poemas dos miudos roubados à pressa da estante do quarto.
Olha este, dizia ela, tão bonito não é?
Não deixava ninguém falar, pois havia tanta coisa a pôr em dia!
Eu tinha era que comer.E mais pão e mais uma fatia de bolo.
Era o amor caído do céu como uma chuva de estrelas.
Como se o mundo fosse desabar, acabasse ali naquele momento.
Parecia outra vez que estávamos na varanda a ver os flamingos.
Sempre admirei esta mãe coragem cheia de braços a acolher os pintos e ainda com braços para os amigos.
Fiquei outra vez contigo nos olhos a ver os flamingos.
E não consigo sair desta imagem de amor.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
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Um comentário:
olá! descobri o seu blog. gosto e os desenhos continuam com muita força. vivo no brasil. um abraço. sónialavinas@hotmail.com
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