sábado, 8 de novembro de 2008

canto de amigos

(Al Berto)

Sem ternura ocupada abraço sozinha todo o medo de Al Berto acossada que estou
paralelo de mim em latitudes nuas.

(maria rosa colaço)

Entro no astro, meu mecânico carro e voo odisseia e a chuva de estrelas cai-me nos braços, firmamento isolado dum amigo mais antigo.

Tu hoje não estás bem. Tu hoje não estás bem.

O rosto do amigo conhece-me a cara, revejo imagens antigas, abano as mãos para dizer assim assim, e o coração colado em todos os vidros recomeça a bater os desenhos da esperança na memória verdinha e espevitada que ameaça os dias.
Só a maria rosa desenhava no arroz doce a insistência do amor para o comer às colheres.
Sentada no campo ficou a vontade de adiar o passado.
Tantas coisas bonitas dá raiva de ver de repente sem espera.
Acabo já isto e não ouço as palavras acabarem a frase - que triste que estás -
Sorrio mentiras para abafar o choro que o lobo vivaço grudou na garganta
habitando latidos à espera de partir.
Do que fizeram de mim
braços pregados e olhos para baixo a esconder a emoção
agarro a flor e a hortelã que repousam na campa alheias a tudo.
Solto a pomba para voar contigo.
Entro no carro e atravesso a estrada.

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