domingo, 23 de novembro de 2008

canto de amigos

De medo espartilhada encurto a alma e o desassossego assome`a garganta infelizes dias de tempo agreste ouriçado na esperança de meus males perdidos em bemfazer, acostumados por entre os panos.
Se lhe dissera do canto, a repartida esperança passaria ao revés,por enganosas palavras lá no fim da noite.
Fico-me na escrita, aparelho mudo que engole a alma sem resquícios ou pensares acolhidos à pressa.
Assim me descontinuo folha a folha de mareado papel, encontro de marcantes memórias,ruga a ruga ocupando o olhar.
Retorno apesar do cansaço de amargos risos e afloro chorando à canoa sentida destes versos.
É assim que desperto pela noite fora onde sonhos reais me rasgam a pele e o sangue escorre apressado e subtil dos olhos à boca circundando o corpo para acabar em poças por entre os pés.
Desperto chorando, não pelo sangue mas porque puxas repuxas os restos da pele em macerados dias desencontrados.
E nem sei se te diga que o alucinado sonho se instala magnifico no cansaço dobrado de afastar tuas mãos que em festas procuram apagar as marcas de acossadas feras habitadas por ti.
Porque da nossa extensão nem sempre sobram os amigos que cegas pensamos guardar para nós nos invisiveis gestos brutalizados no excesso.
E só sobra o cansaço, que aguarda nem sei, para apagar esses anos.

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