(josé craveirinha)
Se Zeca fôra, trazia outro amigo também deixando para quem apetecia
comer tudo sem deixar nada. "os meninos vão nascendo anda ver o mar"
Noticias implicitas, cegas guerras de baionetas aflitas, fome à fartura
triturando amanhãs de gente pura.
Ninguém sabe, ninguém quer saber e o povo, esse, só quer comer, esperados cansaços
de só ver morrer morrer morrer.
Já não quero saber de nada, nada, nada
recolho os saberes, os tons, as aguadas e fechando os olhos no silêncio descrito
dum pássaro no céu, arremesso ao voo a linha dos olhos - indiferente visão - de estar mesmo ao lado.
Agora a guerra transcende os países e ocultos negócios encobrem sangues
trocando missangas por balas precisas, colonizando as rotas em bazucas brancas
para temperos flamantes de metralhadoras picantes.
Se lusa ou lusófona se apregoa a brisa qual vento esquecido de primogénitos filhos,
alcançamos o degrau após sol exausto para ouvir camus num elevador fechado.
Chegou o poeta, traz lágrimas nos olhos duma corrida breve a conta alucinado metro sobre metro as passadas certeiras de sua irmã Mutola.
É José intimista que regressa cansado das coisas da guerra e se sente roubado na esperança e nos medos que fizeram desaparecer o sonho " a três metros e meio das cadeiras da praça"
Agora é fartar aguardar e esperar e falar português enquanto o yes não ocupar o baibai do tátá africano.
Mas outras estórias dependuram-se do tecto como morcegos cegos.
De repente José regressa ao passado que com rolhas se fizeram bigodes em zézito e horácio para subir as escadas do velho casino costa da rua araujo.
E ali os meninos, de catorze anos contados, espreitavam as damas com seus senhores, roleta nas mãos indecentes jogando jogando e que sem tempo sobrado nunca tocavam os decotes abertos das fervorosas damas aguardando ansiosas, onde só dois meninos viajavam escondidos à espreita e à espera do sonho do amor.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
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