quinta-feira, 30 de outubro de 2008

canto de amigos

(diana andringa)

Permaneço museu na contígua peça, recordando catálogos, especiais efeitos, abraçadas linhas de teu rosto parado.
Em lençol dobrado anicho meus males e deito esquecida dos mares quentes a rota do desejo inconfessando palavras.

Odisseia cantante este canto de amigos, retratos puros, chapas sem senso de dias comuns, devolvo do coração as permanências breves de atravessados caminhos campestres.
Que isto de escrever sem ver pelos espelhos, autentica razões e consumos foge aos olhos do curioso bravio e subtrai da paisagem a mata sem flores.

Atento no estudo da continuidade para seguir o verso a palavra e o verbo, e só me disperso quando nus os sentidos descobrem acções, transcrevem segredos surprendendo motivos de obscuros medos - cobras, lagartos e ratazanas fartas.

Vem outro dia e relido o texto fica àquem da ternura o gesto contido de ir além do descontinuado sono na bruma neblosa de não parar o mais forte pensamento -
adaga afiada zumbindo cortes retalhos de musica pairando no ar.
"Não há machado que corte a raiz ao pensamento..."

E agradeço à Diana a lição dos factos.

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