Contar historias, falar de nós, afinal que medo de cometer incorreções, tropeçar nos vocábulos, inventar palavras, ora imaginação, como dizia Einstein - Em momentos de crise só a imaginação é mais importante!
Mas falar é bom. Ouvir os pontos das quedas não é coisa que me excite. Posso parecer fora do mundo ( e às vezes até quero estar) mas interessam-me mais os valores dos sentimentos, o bafejar das almas, o triturar dos dentes. Saber que aquela mulher em coma há cinco anos, sossega e olha para mim quando lhe faço uma festa.
Saber que depois do vento vem a acalmia. E rir com coisas simples como a de ontem. A noticia ecoou no éter: duas filhas dedicadas e amorosas, depois da mãe morta, pintaram-lhe as unhas, baton na boca, usaram rouje francês na cara, um vestido às flores - como disse a outra - e como não bastasse, ainda lhe enfiaram um chapéu na cabeça.
Devia parecer a Lola Flores de Almodovar!
Quem não gostou e comentou, foram as caipiras que acompanharam a cadáver gaiteira até à cova. Credo menina, parecia um filme! Que irá Nosso Senhor dizer? Como se atreveram?
De vez em quando a gente ri. Também faz bem e dá para desopilar as merdas que se atravessam no caminho. Mas a melhor estória, é que a vitima em vida, aos domingos, vestia-se a rigor e em vez de dar grandes passeios na marginal, enfiava-se no carro estacionado à porta de casa, e com seu ditoso esposo ouviam a radio renascença em altos berros. Sim, para que se soubesse que além do carro, também tinham musica. Aquilo é que era!
Nem a banda dos bombeiros lhes fazia frente!
Lá foi ontem - mas ficou para a história. Essa é que é essa!
domingo, 19 de outubro de 2008
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Um comentário:
Teresa, estou a gostar deste "desenhar escrevendo", temperado de sal azul.
Abraco grande,
Andrea
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